quinta-feira, 13 de março de 2008

O Apanhador No Campo de Centeio

O APANHADOR NO CAMPO de Centeio (The Catcher in the Rye, 1951) é uma daquelas obras que não podem faltar em nossa estante. Histórico e polêmico, pode-se dizer que o livro inventou a adolescência, uma vez que até a década de 50 os jovens eram encarados de uma forma completamente errônea: ou eram somente crianças ou já eram considerados adultos. Ao escrever o romance, J. D. Salinger deu uma identidade a essas complexas criaturas e acabou influenciando toda uma geração que modificou o mundo na década posterior. Os hippies pré-setentistas que o digam.

CONFESSO QUE FUI COM muita sede ao pote quando iniciei a leitura. A maneira simples e direta com que Salinger narra a saída do jovem menor de idade Holden Caufield de seu terceiro colégio, aquele “cheio de cretinos e sujeitos perversos” me deixou um tanto decepcionado. Talvez eu esperasse uma maior rebeldia por parte do personagem pelo fato de ter se tornado uma referência para os jovens da era pré-rock and roll, mas o fato é que ele era devidamente rebelde para a época. Até aquele momento, nenhum outro autor havia analisado tão profundamente a alma destas crianças-quase-adultas. Utilizando-se de inúmeras gírias, traça um roteiro aparentemente sem rumo, entrando em temas completamente distintos à medida que se iniciava outro pensamento. Uma espécie de Joyce ou Kafka para adolescentes.
É NECESSÁRIO ESTAR mesmo muito deprimido para escrever um livro como estes, e talvez o seu autor fosse sempre assim. Seu best seller vendeu milhões de exemplares em apenas dois anos, transformando Salinger numa espécie de astro. Conta-se que Bob Dylan fugiu de casa várias vezes inspirado nele. De qualquer forma, é sabido que Salinger renunciou às glórias literárias e decidiu-se por viver isolado numa casa no topo de uma montanha. As vendas de seus livros tiveram um grandioso salto com a trágica morte de John Lennon, assassinado por um fã descontrolado. Mark David Chapman, dono da arma calibre 38 que tirou a vida do ex-beatle, carregava consigo uma edição do Apanhador No Campo de Centeio e dizia obedecer a vozes em sua cabeça.
O LEITOR SE DEPARA com a estória de um irritante jovem virgem e depressivo, insatisfeito com praticamente tudo ao seu redor. Contudo, à medida que avançamos na leitura, começamos a encontrar algumas passagens que nos deixarão mais tarde, ao chegar às últimas páginas, com um generoso sentimento de satisfação. O ponto alto da obra de Salinger está no mau-humor de Holden, que odeia cinema e é incapaz de ligar para a garota por quem é perceptivelmente apaixonado. Seu estado depressivo o leva a pensar em suicídio e a desejar se passar por surdo-mudo, para que não precisasse ter “nenhuma conversa imbecil e inútil com ninguém”. No decorrer da narração, é chamado de bobalhão por uma prostituta, de estranho pelo professor que ele julga ser “veado” e de imaturo por um amigo intelectual seu, o que o faz cair cada vez mais na mais assustadora depressão. É um fumante compulsivo em alguns trechos e costuma mentir sobre sua idade para conseguir beber nos restaurantes que freqüenta, mas não chega a ser um rebelde ao pé da letra. Phoebe, a irmãzinha de Holden, acaba roubando a cena no rumo final do romance, roubando o verdadeiro cargo de heroína, uma vez que o protagonista está mais para um enlouquecido vilão.
A LEITURA DO LIVRO não é recomendada para jovens imaturos, pois tem a capacidade de transportar o leitor para o mesmo estado de espírito de Caufield. Contudo, é um estudo obrigatório. É preciso cair na fossa para observar com cautela as imundícies presentes em cada momento de nossa vida cretina, idiota e sem sentido.

7 comentários:

Bruh disse...

ae =D
Obrigadão pelo comentário no blog, muito legal o seu!
Adoro essas tirinhas norte-americanas. (Leio todas que tem na gramática, hahahaha)
E TUDO pelo nome da ciência, não é?
Abraços!

BAh disse...

Eu não gostei muito do livro..
Fazia muito tempo que queria ler, aí um belo dia fui à biblioteca e peguei para conferir. Desanimei bastante. Ele não era tudo aquilo que eu esperava. Pior de tudo é que nessa brincadeira eu perdi quase um mês, de tanto que me enrolei para terminá-lo. heheheh

GIUSEPPE MENEZES disse...

Pois é, Bah. O fato é que eu também me decepcionei de certa forma. Mas um livro lido nunca é despercício, seja ele incrível ou detestável.
Apenas reconheço que a obra foi muito importante para a época. XD

Anônimo disse...

nuuss .
eu aáammeii eesse livroo .
dee máais meesmoo .
um doos melhoores quee jaáh lii .
;)
eu achoo que vaálee a pennaáa :D

Byy : Déeh .

msn : deborah_thebest003@hot...

Anônimo disse...

nuuss .
eu aáammeii eesse livroo .
dee máais meesmoo .
um doos melhoores quee jaáh lii .
;)
eu achoo que vaálee a pennaáa :D

Byy : Déeh .

msn : deborah_thebest003@hot...

GIUSEPPE MENEZES disse...

Déeh? Oie! Valeu pela visita.
É mesmo, o livro vale muito a pena!
=]

manoella disse...

Eu adorei o apanhador, seilá , me senti um pouco holden de saias, como disse meu ex-namorado... É um tipo d livro q vale a pena ler, mas pelo menos umas três vezes pra poder entender bem o repertório e o sentimento envolvido nele.. qqr coisa m add mannu_gaucha@hotmail.com