quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O Lírio do Vale


INICIEI A LEITURA DE O Lírio do Vale, de Balzac, no mesmo dia em que terminei O Vermelho e O Negro, de Stendhal, sem saber da grande semelhança entre as duas obras. Ambas foram escritas na mesma década (1836 e 1830, respectivamente) e país (França), trazendo o mesmo tema no contexto geral do romance: o envolvimento entre um jovem inteligente e inocente rapaz com uma bela senhora mais velha [!] (mãe de dois filhos, casada com um grande senhor [!!]); e com outra igualmente bonita e distinta dama solteira [!!!] (munida de uma paixão mais fervorosa que a primeira [!!!!]), que acaba por provocar um trágico final ao triângulo amoroso [!!!!!].

O LÍRIO DO VALE faz parte de A Comédia Humana, título geral que dá unidade à obra máxima de Honoré de Balzac, composta por 89 romances, novelas e contos. Félix Vandenesse, um adolescente de aparência infantil movido por uma paixão repentina num festejo popular, rouba o beijo de uma senhora que mais tarde ele descobriria se tratar da respeitável condessa de Clochegourde, mulher do sr. de Mortsauf e mãe de duas crianças. Uma história de amor se inicia entre eles quando o jovem se torna amigo íntimo da família e passa a frequentar constantemente o castelo daquela que ele passa a chamar de Henriette. O trabalho o leva à capital francesa e lá Félix conhece a sensual Lady Arabelle Dudley, que se transforma num obstáculo para a continuação do amor platônico entre ele e a sra. de Mortsauf.

O LIVRO É ESCRITO EM forma de uma carta de Félix à condessa Natalie de Manerville e não é subdividido em capítulos. Esta poderosa narrativa de Balzac descreve com detalhes o cenário campestre/rural aonde a trama de desenvolve e ao contrário de O Vermelho e O Negro, este sim, é rico em sentimentalismo e grandiloquência.

Trecho: “O homem é composto de matéria e espírito, nele a animalidade termina, nele o anjo começa. Donde essa luta que todos nós sentimos entre um destino futuro que pressentimos e as lembranças de nossos instintos anteriores dos quais não estamos totalmente desligados; um amor carnal e um amor divino. Um homem junta-os num só, outro se abstém de ambos, este resolve o sexo inteiro para nele buscar a satisfação de seus apetites anteriores, aquele o idealiza numa só mulher na qual se resume o universo, uns pairam indecisos entre as volúpias da matéria e as do espírito, outros espiritualizam a carne pedindo-lhe o que ela não conseguiria dar. Se, pensando nesses traços gerais do amor, você levar em conta repulsas e afinidades que resultam da diversidade das organizações, e que rompem os pactos firmados entre os que não enfrentam provas; se a isso você acrescentar os erros causados pelas esperanças das pessoas que vivem mais especialmente do espírito, do coração ou da ação, que pensam, sentem ou agem, e cujas vocações são contrariadas, desconhecidas numa associação em que em que se encontram duas criaturas igualmente duplas, você terá uma grande indulgência pelas desgraças com que a sociedade se mostra impiedosa”.

Um comentário:

Jaquelyne A. Costa disse...

Mais uma dica pra arrebentar, Gepp!!

Estou sempre por aqui...

Beijos=*