quarta-feira, 4 de junho de 2008

Aquele guerreiro invisível

Mas eu ainda tento escrever / Os tremores não me impedirão / Quanto ao acaso, dele sou brinquedo

Eu senti, juro que senti / O abraço das Graças a me envolver / Ainda não é hora de chorar / Eu não quero te iludir / Devo confessar-lhe: o perigo me cerca / Meu escudo está rachado / Eu revelo agora meu frágil coração / Entrego ele em suas mãos

Abra, abra as portas de tua casa / Mostre-me quem você é / A sua coleção de cabeças na parede / Os teus animais empalhados / As suas lanças ainda ensangüentadas / Os teus cálices sagrados / As oferendas ao teu deus sombrio

Abraçe-me novamente / Enquanto a viagem ainda se inicia / O caminho aqui é perigoso / Mas aquele dragão já não vive mais / Tenho-o ainda na lembrança / E na ferida em meu peito / Ela não consegue cicatrizar / Ela não consegue mais nada

Veja o meu rosto e toque a minha face / Tente reconhecê-lo só por um instante / Tente, mesmo que seja tarde / A minha esperança é imortal / E minha paciência monstruosa / Nem o teu porteiro, o Gigante de Metal / Nem mesmo ele conseguirá me deter

Aquela luz por pouco não me cega / Ela surgiu de repente, como deve ser / Não julguei estar preparado / Mas me entreguei de braços abertos / Observe a minha armadura, guerreiro / Ela reflete o teu semblante: / É preciso pensar várias vezes / Antes de tentar me ferir

A sua capa não era vermelha / Mas agora ela reflete a sua glória / Ainda que seja inútil

(Giuseppe Menezes, setembro de 2005)

8 comentários:

GIUSEPPE MENEZES disse...

Notável nota: Obrigado a todos os constantes comentaristas do Kozmic Soldier (Roseana, Ana, Jaquelyne, Pollyanna, Ellen, Bah, Clarissa...) e àqueles(as) que apenas visitam este humilde blog! Vocês são mesmo fiéis. E valeu pela cobrança, Polly, é que o Sr. Destino não me deixava postar novamente. ^^

BAh disse...

Eu diria que sou fiel quando o autor faz por merecer... heheheh :D Mas agradeço também pelas suas visitas ao meu blog, que ultimamente anda meio negligenciado.
Quanto ao seu texto, achei-o realmente bastante profundo. E dou maior ênfase a esta parte:
"Abrace-me novamente / Enquanto a viagem ainda se inicia / O caminho aqui é perigoso / Mas aquele dragão já não vive mais / Tenho-o ainda na lembrança / E na ferida em meu peito / Ela não consegue cicatrizar / Ela não consegue mais nada"
Eu me identifiquei com ela.

Parabéns!

Clarissa Santos. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Clarissa Santos. disse...

Esse texto me causa uma sensação tão..'medieval'.
E vi cavaleiros de armaduras de ferro, vi mulheres - belas mulheres de longos cabelos-, dragões (ou moinhos de vento, de Cervantes), vi muita escuridão e sentimento - mais sentimento que todos os outros citados.

Diria que achei bastante épico.
Muito bom, meu caro!
:D

beijos *:

Jaquelyne disse...

Lindo,Gepp!!Tão lindo quanto a antese pela manhã!!
Beijos,meu Cavaleiro da Glóriamor!!

Ellen Fernandes disse...

É ...como é inconstante o ser...obrigada por passar no meu tbm..peço desculpa pela ausencia, mais o mundo da voltas....

saiba que senti fala de seus texto..e pelo visto continua muito bem!!!!

Como sempre consegue prender nossas atenções...

Bjinhus

Roseana Batista disse...

Cartão fidelidade KS (Kozmic Soldier).

Adorei o texto!
Dá até pra ouvir ao fundo uma trilha sonora by Blind Guardian!
Muito bom (como sempre)...

Amplexos! =D

P.S.: Compartilhe mais textos do seu arquivo pessoal conosco! =P

GIUSEPPE MENEZES disse...

Bah: Seu blog não é negligenciado, Bah. Ele é demais. Ah, e obrigado pela fidelidade!

Clarissa: Que bom que lhe transportei para a idade média, era essa mesmo a intenção \o/

Jaquelyne: Seus elogios são muitos importantes (vindos de uma verdadeira poeta, hein...). Fico contente que você tenha gostado. ^^

Ellen: Não, não se desculpe pela ausência. Às vezes tb me ausento por questões maiores. O importante é o seu regresso!

Roseana: Cartão Fidelidade? É uma boa idéia. Quem sabe não confecciono um. Hehehe. Ah, meus textos antigos são muito pessoais. Mas verei se encontro mais algum interessante. Obrigado por sempre aparecer!