domingo, 12 de junho de 2011

Valentine

ESTA, NÃO É uma postagem concluída. Ensaiei um retorno ao ser surpreendido por um sentimento frustrado, mas o cansaço foi maior que o meu desejo de continuar. Certamente não concluirei a ideia, uma vez que perdi a linha de raciocínio, e por isso deixo aqui o que sem sucesso iniciei:

“NÃO, A TRISTEZA não atrai as pessoas. É irremediavelmente uma verdade. A gente se entristece por sentir-se sozinho e enquanto infelizes jamais conseguiremos nos remediar. Um fado complicado, mas bastante comum. Refugiamo-nos em distrações em busca de autoconfiança ou até mesmo tentando esquecer a nossa condição, forjando uma felicidade hipócrita a fim de ocultar dos outros nossa insatisfação. Mas uma hora ou outra o destino nos acertará a face despertando-nos para a dura realidade (...)”.

COM ISSO FUI dormir. E o blog deu um suspiro de vida.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Celebração à Solidão

Desarme-se
Você está livre agora
Eu voltarei à minha posição observadora e introspectiva
E então poderá novamente se reservar
Solitária
Ao lado de sua amiga solitária
Todos juntos em uma solidão coletiva
Assim nos sentimos bem
Enquanto nos sentimos sóis
Seu braço pode se posicionar diferente
E suas mãos abertas com os dedos a mirar-me
Em movimentos digitais ebrefechantes
Mas nosso fingimento nos permanece
Nosso egoísmo nos compreende
Nossa solidão nos basta
É que não queremos perder a graça de esperar
Para depois pensar em desembarcar
Vamos ficar assim, então
Juntos enquanto distantes

quarta-feira, 31 de março de 2010

Encontro com o Passado


OUTRO DIA ENTREI EM meu antigo quarto a fim de preencher um imenso vazio. Ele parece um depósito de lembranças adormecidas que se misturam entre cadernos, imagens e demais objetos até então temporariamente perdidos e esquecidos. A poeira, como um agente do tempo, coloca rugas e enferma meus objetos do passado me avisando que um dia tudo aquilo não me fará mais sentido. E se eu esquecesse tudo o que vivi? Um homem viveria o futuro sem o passado? Eu vi cartas e desenhos. Contos e problemas. Coleções absurdas e lembranças de alguns momentos. Um papel dobrado com anotações e uma lista sem sentido. Nomes que não conheço e comerciais obsoletos. Acessórios de um tempo diferente e obsessões hoje sem importância. Encontro escritos datados e planos extraordinários de coisas que nunca cheguei a concluir. Vestes sem uso. Um modelo do que eu deveria me tornar.

EM MEIO A TODO ESTE depósito de lembranças eu vasculho e seleciono o que ainda faz sentido e descarto estratagemas que não mais levarei em diante. E mergulhado nesta piscina melancólica eu traduzo obras que há tempos ninguém lia. Sou eu lendo para mim mesmo um livro que só hoje consigo entender. Meu passado me mostra o caminho a seguir e não me faz esquecer como devo me portar. E por detrás de um pano eu vejo algo em movimento. Foco melhor e reconheço um espelho com o meu reflexo. De tanto vasculhar o meu passado reconheço que o que eu estava tentando encontrar era a mim mesmo. E no plano inverso, no lado oposto a este tempo, um ser ingênuo faz projeções confusas buscando descobrir o que acontecerá consigo quando avançar anos no relógio. Seu quarto, no entanto, ainda não tem poeira alguma.

domingo, 8 de novembro de 2009

A Volta ao Mundo...

SOMENTE APÓS TER LIDO mais da metade d'A Volta Ao Mundo Em 80 Dias eu fui me perguntar se o protagonista do romance, Phileas Fogg, realmente conseguiria cumprir sua aposta - que é resumida através do título desta obra de Julio Verne. É que o livro se torna extrememente mais interessante quando se caminha para o fim, sendo impossível deixar os capítulos posteriores para o dia seguinte (é como aqueles filmes interessantes que torcemos para não acabar logo). A narrativa simples e direta impressiona pela precisão com que o autor montou a sua história e pelos inúmeros impecílios que colocou no meio do trajeto a fim de retardar o avanço de Fogg até o seu destino sem que para isso precisasse recorrer a elementos fantásticos e irreais: Verne parecia conhecer verdadeiramente o caminho percorrido pelo seu personagem ao redor do mundo, adicionando elementos naturais e culturais únicos para cada país que ele nos levava a visitar.

FREQUENTADOR CONSTANTE entre as listas de maiores clássicos da literatura, A Volta Ao Mundo Em 80 Dias é uma leitura obrigatória para aqueles que simplesmente gostam de ler sem compromisso, uma vez que é uma experiência muito saborosa e gratificante ao chegar ao fim deste título.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O Grande Gatsby


NÃO ME SURPREENDI nem tampouco me encantei pelo livro de F. Scott Fitzgerald ao ler O Grande Gatsby, sua obra prima. Na verdade este é o segundo grande clássico da literatura norte-americana que me desaponta – o outro foi O Sol Também se Levanta, de Ernest Hemingway. Não sei se é devido ao fato de que eu prefiro as obras do velho mundo, mas confesso que esperava muito mais deste que conquistou o segundo lugar na lista dos Cem Melhores Romances em Língua Inglesa do Século XX, superado apenas pelo Ulysses de James Joyce.

A HISTÓRIA DE ASCENSÃO de Jay Gatsby, em meio a um triângulo amoroso, é contada por um personagem que não participa muito dos acontecimentos, Nick Carraway, que acaba por se tornar o melhor amigo deste notável sujeito. A impressão que tive foi de que Gatsby foi trazido na marra por Carraway à posição de protagonista, uma vez que sua personalidade morta e sem muitas características foi incapaz de despontar neste papel. Nick não tem um grande amor, um grande emprego, uma grande casa, uma grande rede de amigos, nem uma história para contar: ele é o completo oposto de Gatsby, e talvez se a obra tivesse outro título poderia bem se chamar O Pequeno Carraway.

O ROMANCE É REALMENTE bem conduzido pelas mãos do autor e tem a sua melhor fase narrativa no último capítulo, onde nos deparamos com um personagem entristecido e abalado com um fato trágico, trazendo à tona a sua vida sem sentido – quem sabe um reflexo das confusas e loucas primeiras décadas do século XX norte-americano:

“Este é o meu Meio-Oeste – não trigo ou as pradarias ou as cidades suecas perdidas, mas os trens vibrantes de volta para casa da minha juventude e os lampiões de rua e os sinos de trenó na escuridão gelada e as sombras das grinaldas de azevinho lançadas sobre a neve através das janelas iluminadas. Sou um pouco solene com o sentimento daqueles longos invernos, um tanto complacente por ter crescido numa casa dos Carraway numa cidade em que as casas ainda são chamadas ao longo das décadas pelo nome de uma família”.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O Lírio do Vale


INICIEI A LEITURA DE O Lírio do Vale, de Balzac, no mesmo dia em que terminei O Vermelho e O Negro, de Stendhal, sem saber da grande semelhança entre as duas obras. Ambas foram escritas na mesma década (1836 e 1830, respectivamente) e país (França), trazendo o mesmo tema no contexto geral do romance: o envolvimento entre um jovem inteligente e inocente rapaz com uma bela senhora mais velha [!] (mãe de dois filhos, casada com um grande senhor [!!]); e com outra igualmente bonita e distinta dama solteira [!!!] (munida de uma paixão mais fervorosa que a primeira [!!!!]), que acaba por provocar um trágico final ao triângulo amoroso [!!!!!].

O LÍRIO DO VALE faz parte de A Comédia Humana, título geral que dá unidade à obra máxima de Honoré de Balzac, composta por 89 romances, novelas e contos. Félix Vandenesse, um adolescente de aparência infantil movido por uma paixão repentina num festejo popular, rouba o beijo de uma senhora que mais tarde ele descobriria se tratar da respeitável condessa de Clochegourde, mulher do sr. de Mortsauf e mãe de duas crianças. Uma história de amor se inicia entre eles quando o jovem se torna amigo íntimo da família e passa a frequentar constantemente o castelo daquela que ele passa a chamar de Henriette. O trabalho o leva à capital francesa e lá Félix conhece a sensual Lady Arabelle Dudley, que se transforma num obstáculo para a continuação do amor platônico entre ele e a sra. de Mortsauf.

O LIVRO É ESCRITO EM forma de uma carta de Félix à condessa Natalie de Manerville e não é subdividido em capítulos. Esta poderosa narrativa de Balzac descreve com detalhes o cenário campestre/rural aonde a trama de desenvolve e ao contrário de O Vermelho e O Negro, este sim, é rico em sentimentalismo e grandiloquência.

Trecho: “O homem é composto de matéria e espírito, nele a animalidade termina, nele o anjo começa. Donde essa luta que todos nós sentimos entre um destino futuro que pressentimos e as lembranças de nossos instintos anteriores dos quais não estamos totalmente desligados; um amor carnal e um amor divino. Um homem junta-os num só, outro se abstém de ambos, este resolve o sexo inteiro para nele buscar a satisfação de seus apetites anteriores, aquele o idealiza numa só mulher na qual se resume o universo, uns pairam indecisos entre as volúpias da matéria e as do espírito, outros espiritualizam a carne pedindo-lhe o que ela não conseguiria dar. Se, pensando nesses traços gerais do amor, você levar em conta repulsas e afinidades que resultam da diversidade das organizações, e que rompem os pactos firmados entre os que não enfrentam provas; se a isso você acrescentar os erros causados pelas esperanças das pessoas que vivem mais especialmente do espírito, do coração ou da ação, que pensam, sentem ou agem, e cujas vocações são contrariadas, desconhecidas numa associação em que em que se encontram duas criaturas igualmente duplas, você terá uma grande indulgência pelas desgraças com que a sociedade se mostra impiedosa”.