sábado, 22 de novembro de 2008

Aleatoriedades

ATENDENDO AOS PEDIDOS de Jéssica (Jsk) por uma nova postagem neste blog, transcreverei aqui uma brincadeira que publiquei na Casa do Snoopy. Trata-se do Aleatoriedades, aonde você escreve seis coisas sobre você e indica mais seis pessoas para fazer o mesmo, sempre seguindo essas regras:

1. Link a pessoa que te indicou.
2. Poste as regras em seu blog.
3. Escreva 6 coisas aleatórias sobre você.
4. Indique mais 6 pessoas (ou quantas quiser) e coloque os links no final do post.
5. Deixe a pessoa saber que você o indicou, deixando um comentário no blog dela ou lhe mandando um e-mail.
6. Deixe os indicados saberem quando você publicar seu post.

Eu sei que é uma espécie de corrente (coisa que não gosto nem um pouco), mas pode trazer algo de bom: conhecer melhor nossos amigos blogueiros, conhecer novos links interessantes e o melhor de tudo, que é atrair novos leitores para o que escevemos

Então aí vai. 01. Já li Lolita 3 vezes (sim, acho que é o meu predileto) e não consigo acompanhar qualquer livro de James Joyce sem um dicionário para me socorrer. 02. Eu matava aula com os amigos para comer as frutas do colégio (caju, banana ou serigüela). 03. Nunca gostei de Chaves, uma vez que não tive a oportunidade de apreciar o seriado na infância (em minha casa não pegava o SBT). 04. Meu computador é obsoleto (o coitado se esforça até para abrir o Gmail) e não consigo juntar dinheiro para comprar um novo, pois sempre compro algo menos útil. 05. Eu me apaixono em média a cada 5 anos, mas nunca namorei nenhuma de minhas “desejadas” (foi assim no 1º grau, no ensino médio e na faculdade. 06. Eu nunca termino as coisas que começo (seja um livro, uma história em quadrinhos ou até mesmo o meu curso na faculdade). Alguém aí me dá um punhado de persistênca?!

Então fica aí o convite para Roseana (Doce Ócio), Jaque (Jaque Sou), Jéssica (Jsk), Clarissa (Doce Clareza), Ellen (Doce Pesadelo) e Bah (Memórias Escritas a Lápis - que eu já cumpriu a sua tarefa).

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Homem árvore


UM PENSAMENTO DE infância me veio numa dessas tardes dominicais aonde eu devorava uma laranja e descartava os caroços jogando-os pelo jardim junto às plantas de minha mãe. Meu pequeno e curioso cão corria atrás de cada um deles e mastigava-os sem engolir, uma vez que não tinha nada melhor pra fazer. Lembrei-me, então, que na infância eu fazia por onde não comer sementes a fim de evitar que crescesse dentro de meu estômago juvenil uma grande árvore. Sim, senhor. Como seria interessante ver saindo de minha boca uma folha verde ou de minhas orelhas alguns galhos marrons em busca de luz. Seria eu homem-árvore ou árvore-homem? Prefiro nem imaginar, porque eu não gostaria de criar raízes.

domingo, 26 de outubro de 2008

Laerte

Publicadas na Folha de S. Paulo nos dias 03, 13 e 22/10/2008:


sábado, 18 de outubro de 2008

Aventura de Sono

NÃO CONSIGO MAIS controlar a vontade de cochilar no ônibus enquanto volto pra casa. E tudo parece exatamente simétrico, uma vez que é sempre no mesmo lugar do trajeto aonde minha rendição começa. Nosso relógio biológico funciona perfeitamente quando a nossa rotina se torna constante. Há uma semana eu mudei o horário de meu despertador, pensando que assim eu ganharia mais alguns preciosos cinco minutos de sono, mas vi que não deu certo. Ora, eu sempre acordo cinco minutos antes do alarme gritar em meu ouvido. Então espero desperto pelo momento de desligá-lo.

IMPRESSIONANTE É o tamanho da vontade que temos em permanecer na cama quando somos obrigados a acordar cedo. Já perdi uma dezena de aulas por conta dessa preguiça. Um amigo dizia que colocava seu despertador do outro lado do quarto para que se sentisse obrigado a levantar logo, a fim de não incomodar o sono dos outros. Porque quando o sono realmente é grande, um despertadorzinho já não adianta.


REZA A LENDA QUE Hipnos, o deus do sono, não conseguia adormecer em si o amor que sentia. Inocente dos olhos que o seguiam, a graça Pasitéia se banhava e adormecia. É então que Hipnos saía de seu esconderijo, mas ao menor movimento da jovem ele desaparecia entre as árvores. Nos banquetes do Olimpo não se cansava de admirá-la, mas temia confessar-lhe o amor.

DE REPENTE HERA vem a Hipnos pedir-lhe um favor: teria que fazer com que Zeus adormecesse durante a Guerra de Tróia para que os gregos a ganhassem, pois ele protegia os troianos no longo confronto. Em troca, Hipnos ganharia um trono de ouro, que seria construído por Hefestos; e o amor da mais jovem das graças, sua querida Pasitéia. Encorajado, aceitou o acordo instantaneamente.

HERA UNTOU SEU corpo com óleo, amarrou os cabelos, vestiu a túnica bordada por Atena e cubriu-se de jóias. Calçou as sandálias de ouro e envolveu-se de um véu dourado. E por último, colocou o cinturão de Afrodite, na qual pediu emprestado contando à deusa que precisava dele para reconciliar seus pais adotivos, Oceano e Tétis, que teriam discutido. Perguntada pelo marido aonde iria tão enfeitada, Hera respondeu que iria visitar seus pais, mas Zeus, encantado, proibiu-a e chamou a deusa para a cama, aonde fizeram amor. Hipnos então o adormece, o que permite a vitória dos gregos.

À NOITE, O DEUS do sono viu uma clareira e avistou Pasitéia, sua graça amada, que parecia esperá-lo desde cedo. Aproximou-se encorajado por um sorriso e beijou-lhe as mãos, sentindo-se o mais feliz dos imortais.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Constelação piegas

DAS LETRAS QUE COMPÕEM seu nome farei inconstantes personagens irreais. Vestirei cada um deles com as cores de seus pêlos, a intensidade de seu sangue, a transparência de suas lágrimas, a alvidez das suas presas, a profundidade de seus olhos e a textura da sua epiderme. Colocarei em suas bocas aquilo que sempre quis ouvir de você, mas ainda não me foi permitido. E então, gravarei a posição de uma dezena de estrelas no dia de seu aniversário a fim de reproduzir a cena e batizar a constelação nascente com o nome pelo qual você é chamada, para que eu sempre me lembre de jamais esquecê-la.

sábado, 27 de setembro de 2008

Invisível


Ainda me lembro do que ele ma chamou. Covarde inútil. Se eu já estava pra baixo, as palavras do capitão me jogaram de vez no chão. Mas talvez seja mesmo verdade. Minha missão já caminha rumo ao fracasso desde o seu princípio. Eu me iludi e enganei ao mesmo tempo aqueles que um dia já acreditaram em mim. O acaso acertou em cheio o meu estomago. Quiçá tenha sido esta a razão de meu vômito, que derramei novamente em meu velho caderno.

Eu tentei entrar na mente dela e acabei afastando-a de mim mais uma vez. Ainda não aprendi a abdicar dos recursos proibidos que possuo. Procurei me afastar de todos e percebi que não era necessário, uma vez que nunca estive verdadeiramente acompanhado. Se eu sumir, ninguém perceberá o ocorrido, uma vez que ninguém procurou saber sobre mim enquanto estive recluso. Como podemos sentir falta de alguém que nunca esteve conosco? Alguns sentimentos adquiridos ainda me são incompreensíveis.

Meu comunicador já não dá sinal de vida há tempos, mas sei que ainda funciona perfeitamente. Da última vez em que o utilizei respondi ao capitão que me cobrava um relatório dos acontecimentos, e isso já faz meses. O curioso é que estou sempre disponível, mas todos fingem não me ver. Talvez até deva discursar sobre essa indesejada habilidade em meu próximo ofício, o que poderá chamar a atenção de alguns.

Ele me pediu que eu sorrisse. E é o que eu tenho feito desde então. Este soldado nunca pareceu tão socializável. Esconder as mágoas, no entanto, é uma árdua tarefa, e uma recaída poderá a todos surpreender. “O que aconteceu com ele? Parecia tão bem...”

Ilusão. Ninguém responde à despedida de um fantasma uniformizado.