segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O Vermelho e O Negro


TINHA O VERMELHO E O Negro em casa desde sempre guardado na coleção de livros de minha mãe, mas nunca foi despertado em mim nenhum interesse em lê-lo até descobrir que ele aparecia em algumas das várias listas que encontrei de maiores clássicos da literatura. Ao pesquisar o autor, Stendhal, logo me veio à lembrança que eu já havia lido uma outra obra sua: uma biografia de Mozart que vinha impressa em forma de revista junto de um cd do compositor que eu comprara há alguns anos numa banca de jornais. O livro se passa no período da restauração napoleônica e retrata a França do século XIX. Embora produzida em pleno Romantismo, a obra de Stendhal se mostra isenta de sentimentalismo e grandiloquência. É ligeiramente cansativa e grande em demasia, mas é dividida em capítulos curtos que facilitam a leitura.

A seguir, apresento um curto resumo (contém Spoilers):

O ROMANCE NARRADO EM terceira pessoa e escrito em 1830 constitui uma de suas obras-pimas e conta a história do jovem Julien Sorel, latinista, cristão devoto e polido filho de camponês que passa a trabalhar por ordem do pai como preceptor das crianças do Sr. de Rênal, prefeito da bela, pequena e francesa cidade de Verrières. Em pouco tempo ele se vê atraído pela sua linda patroa, que progressivamente vai-lhe retribuindo o afeto, entrando ambos em um namoro secreto e inocente que se estende por toda a primeira parte do livro. Devido às desconfianças do prefeito, Julien parte para um seminário e deixa para trás a sua amada Sra. de Rênal a quem posteriormente volta para despedir-se antes de partir definitivamente para longe. Este seu retorno a Verrièrres no último capítulo da primeira parte marca um dos momentos mais interessantes da obra.

A SEGUNDA PARTE TRAZ um Julien mais amadurecido e diante de uma nova vida: tornara-se secretário do Marquês de La Mole, “um dos maiores senhores da França” e tentava na medida do possível se acostumar com aquela alta sociedade e com as noites nos salões. Evitava conversar com a filha do marquês, a Srta. Mathilde, que vivia cercada de admiradores e quem ele achava muito orgulhosa, mas sua frieza acabaria por despertar nela um interesse que se metamorfosearia em amor (os capítulo 9 e 10 descrevem bem esta transformação). Viveram um namoro aos tropeços com o orgulho de cada um até o dia em que ela anunciou estar grávida. A Sra. de Rênal reaparece na história no 35º capítulo escrevendo contra a sua vontade uma carta ao Sr. de La Mole aonde diz absurdos sobre Julien, provocando a ira do herói que vai a Verrières tentar sem sucesso assassiná-la. É assim que o jovem Sorel se reconcilia com a sua primeira paixão e morre condenado pelo seu crime, permanecido ainda vivo no coração das duas e do lado do povo, que encontrou naquele caso uma aventura romanesca.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Seleção de tiras (Angeli)

Publicadas Jornal Folha de S. Paulo nas respectivas datas: 13/02, 21/03 e 06/04/2009

terça-feira, 7 de abril de 2009

Delírio


O RELÓGIO MARCA 6:59 da noite. Deito-me em minha cama e começo a refletir sobre o nada enquanto observo o teto esbranquiçado que traduz o que eu conquistei nos últimos tempos. Minha pele está quente, meus olhos estão pesados e minhas pernas fracas. Sinto frio, fome e você cada vez mais longe.

É IMPOSSÍVEL CONTROLAR o meu leito. Ele me leva para onde jamais estive, desprendendo-se de meu corpo enfermo e deixando-me no ar. Observo um sujeito franzino e de passos longos a bater na calçada com os seus sapatos pobres. Ele atrasou-se e corre para ganhar tempo. Sei que mais tarde ele reclamará de sua vida atarefada, mas desconhece o que pratica em suas horas vagas. Não sabia que a sua solidão o faria deitar-se em sua cama ainda quente pra refletir sobre coisa nenhuma.

AO ABRIR A JANELA observei algo flutuando no ar: era alguém apavorado, insatisfeito e descontente de estar imóvel. Torcia para cair ainda que a conseqüência fosse a sua morte. Ele não gosta de estar por cima e entende tudo sobre isso. Mais vale o mistério.

FOI AO PENSAR nisto que seu corpo se desprendeu do espaço e atingiu o chão, fazendo-o despertar às 7:23 da noite naquele corpo ainda em chamas.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Escolhas

EU TROQUEI OS filmes de graça pelos alugados. Troquei as notícias virtuais pelas televisivas. Troquei os estudos por entretenimento inútil. Troquei os fones de ouvido por um livro. Substituí a ficha da biblioteca pela do banco. Preferi Pink Floyd a Nirvana. Deixei um cabelo grande por um par de óculos. E adquiri com isto a saudade de algumas boas noites

MAS HOJE MEU semblante cansado está mais compreensivo. Mas minhas noites, não menos longas e nostálgicas. E meu medo do futuro cada vez mais presente. Como estarei daqui a cinco anos? Espero que menos preocupado e um pouco mais acompanhado.

ACHO QUE EU passarei uma semana sem fazer a barba...

domingo, 1 de março de 2009

Lista de listas

EU GOSTO DE FAZER listas. Já fiz lista dos filmes que mais gostei de assistir e daqueles que ainda pretendo ver, assim como já fiz catálogo das músicas que mais gosto e de discos que ainda ouvirei. A literatura também não fica para trás, já que tenho uma lista dos livros que já li a uma folha contendo os títulos que ainda pretendo ler antes de morrer. Este hábito, no entanto, anda meio abandonado, assim como inúmeras outras coisas que não faço mais. Não sei como é, mas talvez eu estivesse cansado de ser quem eu sou. Eu não era muita coisa, mas pelo menos conquistei algo. Só agora percebo que a minha mudança trouxe conseqüências e por isso pretendo voltar a ser a mesma pessoa de sempre: interessante apenas para mim mesmo. Agora, então, pretendo riscar mais itens de meus catálogos já criados antes que eu comece a fazer uma nova lista contendo os grandes amigos que eu já perdi.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Troféu do Amigo

Eu já não atualizo este blog como antes, mas mesmo assim recebi mais um selo das mãos de Jaqueline (Jaque Sou, O Jeito é Ser). Este, é o Troféu do Amigo, e a sua descrição está aqui: "Esses blogs são extremamente charmosos. Esses blogueiros têm o objetivo de se achar e serem amigos. Eles não estão interessados em se auto promover. Nossa esperança é que quando os laços desse troféu são cortados ainda mais amizades sejam propagadas. Entregue esse troféu para oito blogueiros(as) que devem escolher oito outros blogueiros(as) e incluir esse texto junto com seu troféu."

Bem, aí vão minhas indicações: Jaque Sou (sei que ela me indicou, mas não a deixaria de fora), Doce Clareza (que eu tenho esperanças que ela volte a escrever), Memórias Escritas a Lápis (que também anda sumida), Sensações da Falta de Sensação (que não atualiza o blog há um mês), Doce Pesadelo (também já foi uma blogueira mais dedicada), Jsk (uma grande leitora, em todos os sentidos), Menina Sãn (tem algo em seus textos que me agrada muito) e Doce Ócio (Só a deixei por último por que abandonou o blog, mas não poderia esquecê-la. Ah, não).